O silêncio quis revelar seus segredos e, o fez, em 7 horas de um dia.
Confessou sua face nas relações ou abismo, amor ou desamor, fim da palavra ou a palavra enfim.
O Livro foi escrito em um só dia: 02/12/2005
"Só voa quem de céu é feito" Julio Almada DIREITOS RESERVADOS AO AUTOR, TEXTOS REGISTRADOS NA BIBLIOTECA NACIONAL
Arde
Arde en mi cuerpo
La falta del tuyo.
Hierve mi sangre
Tus ojos cerrados
Cierro los míos
Escojo tús labios
No los encuentro
En dolor me abro
Corto los nudos
De la soga del tiempo
Caigo en el abismo
De tu silencio.
Amo el amor que me sostiene
Brillo en la sombra en que me quiere
Arde hoguera no tenerte
Cortame rama desearte
Lejos mí cuerpo se deshace
Al añorarte.
Julio Almada en Arde
Medusa queria me Jantar
Na minha cabeça tudo fazia qualquer grito inútil. Não tive escolha, muitos já disseram isso e eu não digo, escolhi e me arrependo. Escolhi ser tudo, síndrome do nosso tempo. Contestador e fiscal. E agora, as contas do Mês ou a razão da vez, qualquer crise no eclipse diário. Ela era o eclipse da minha vida, de quando em quando me apagava sempre. O telefone deixou de tocar,
não vou atender, deviam ser meus superiores me cobrando postura mais adequada para a profissão que eu exercia, não gostaria de falar nisso agora, aliás naquele momento me trancou a respiração, não poderia falar nada.
Os 20 passos até o banheiro foram acompanhados por uma dor aguda e uma loucura crônica.meu amor porque vc fez isso agora, pensei, enquanto a ulcera expeliu sangue suficiente para respingar todos os lados do banheiro e o espelho mostrando os lábios dela que diziam, olha o tecido do vestido que vou usar no nosso casamento.elegante no velório.
Eu no dela, pensei e quase bati a cabeça na parede quando vomitei pela segunda vez meu tempo esvaindo em sangue. Úlcera.
JULIO ALMADA, DE OLHO: EMBRIAGADO
De Olho : Embriagado
Conheci Junkies on the rocks
Que tristes pareciam
Na meia-noite do mundo
Sem música e poesia
Trash on the street
E pó de nostalgia
Andei mil lábios e nem desfaleci
E quando de olhos abertos
O mundo parecendo certo
Mostrou-me o sangue, o fogo e a flor
De pronto era Alice e o país das maravilhas
Não passava e eu nem sabia
De um conto de fados
E uma cama para sempre vazia
Na última sessão de fotos
Um flash dilacerou
Meu coração cansado
Conheci Junkies on the rocks
Em ruas que não eram minhas
Em dias que me caçavam
De volta às mesmas esquinas
Quando a lua já desistia
De iluminar sagas ensandecidas
Hoje molho no pão vosso de cada dia
Minha pena de securas estarrecidas
Meu olho quase morto onze da manhã
E alguém à espreita da minha fugitiva vida
Um amor verso a verso retalhando
Minha dor na qual ninguém mais acredita
E os maus mal parando em pé
Numa solidão de viés quase comprometida
Conheci sweet and darkness
Far away my heart em plena descida
E ruas de um gosto de sal
Que o sol petrificou pra toda vida
Andando só e mal acompanhado
Quién supo hallar mi corazon alado?
Será que alguém se esqueceu mesmo de mim,Depois de algum tempo haver lembrado?
Ou quem sabe aqui nos versos
Só e de Olho: embriagado
Posso dizer da vida seus mil lábios
Com línguas de fel e equívocos nos armários
Julio Almada, De Olho: Embriagado

Brilho de uma lua
Desnuda a lua?
Desnudos, estamos nós,
Cobertos de alguns veludos,
Tecidos longe da voz,
Dos nossos, muitos sentidos.
Nudez absoluta,
Despidos do que já fomos.
Luz seduzida.
Réstia sem crisântemos.
Nu seria bom,
Achar-me,
Entre os pertences,
Ao qual pertenço.
O imenso
Que me pertence
Ao desnudar-me.
Julio Almada do Livro dos Silêncios